Anticoagulante

O acido acetilsalicilico, também conhecido como Aspirina, AAS ou Bufferin entre outros nomes comerciais, é um antiagregante plaquetário que tem função de alterar a função das plaquetas (que é um dos elementos do sangue e que auxilia na interrupção de sangramentos) provocando diminuição da sua função ou seja, evitando a coagulação e trombose, especialmente nas artérias coronárias e do Sistema Nervoso Central. Esta medicação é uma das mais importantes tanto para prevenir como tratar eventos coronarianos, como angina e infarto do miocárdio, devendo ser usados pelos pacientes que já apresentaram infarto do miocárdio, ou que precisaram realizar Stent coronarianos ou cirurgia de revascularização do miocárdio, salvo se o paciente apresentar alguma contra indicação a este medicamento. Como todas as outras medicações, esta também apresenta efeitos colaterais, a principal é a intolerância gástrica, como “queimação no estomago” e “gastrite”, devendo ser evitado em paciente com úlcera gástrica ou duodenal.

Se o paciente necessita realizar qualquer cirurgia ou procedimento dentários, o AAS deverá ser suspenso pelo menos 3 dias antes da intervenção.

No caso de cirurgia de pontes de safena a sua suspensão é questionável.

Na nossa opinião, é preferível suspender o AAS pelo menos 3 dias antes da cirurgia, para evitar risco de sangramentos maiores.

Os anticoagulantes orais, que tem o nome comercial de marevan, coumadin ou marcoumar, é um inibidor da Vitamina K, e tem como função anticoagular o paciente, ou seja “afinar o sangue” para não ocorrer trombose ou coágulos, especialmente em pacientes que possuem próteses valvulares metálicas, algumas arritmias cardíacas, como fibrilação atrial, ou já apresentaram trombose venosa profunda ou tromboembolismo pulmonar.

Esta é uma medicação que exige muito cuidado, tanto do paciente quanto do médico que receitou, devido ao risco de sangramento ou anticoagulação insuficiente.

É necessário realizar regularmente o exame de TP/INR para ajustar a dose do anticoagulante.

O intervalo para realizar este exame varia de paciente para paciente e depende do resultado prévio e estabilidade da dose da medicação, mas não deve ser superior a 3 meses.

O paciente que faz uso desta medicação deve tomar vários cuidados: não usar outros remédios sem o conhecimento do seu médico, especialmente antiinflamatórios não hormonais como diclofenaco sódico, não fazer uso excessivo de alimentos de folhas verde escuras; ficar atento a sinais de sangramento como urinário, na gengiva ao escovar os dentes, intestinal ou hematomas pelo corpo, devendo comunicar ao médico se apresentar algum destes sinais; usar a medicação regularmente conforme orientação médica, de preferência no mesmo horário do dia, e sempre comunicar a outros médicos ou dentistas que forem atender que faz uso desta medicação.

Se ocorrer necessidade de realizar qualquer cirurgia ou procedimento dentário o anticoagulante deve ser suspenso 5 a 7 dias antes do procedimento, sendo necessário repetir o exame de TP/INR antes da intervenção (para avaliar se a coagulação voltou ao normal). Durante o período que o paciente ficar sem o anticoagulante oral poderemos substituí-lo temporariamente por heparina de baixo peso molecular que é aplicada no sub-cutâneo a exemplo da insulina e cujo efeito é fugaz quando comparado ao do anticoagulante oral.

Em caso de cirurgia de emergência, sempre avisar ao médico responsável sobre o uso do anticoagulante para que as devidas condutas sejam tomadas para evitar sangramento excessivo.

Por: Dr. Walace de Souza Pimentel

Diferenças entre Prótese Valvar Biológica e Mecânica

INTRODUÇÃO

A troca valvar cirúrgica é o procedimento de escolha em pacientes portadores de estenose valvar aórtica ou disfunção protética. Na maioria da população, a intervenção apresenta risco baixo e é capaz de promover melhora funcional e elevar a sobrevida quando comparada ao tratamento clínico.

Existem dois tipos de prótese valvar: a prótese biológica e a prótese valvar mecânica, ambas com vantagens, desvantagens e possíveis indicações. Cabe ao paciente escolher, segundo a orientação do médico, qual a melhor opção.



PRÓTESE BIOLÓGICA

A prótese biológica é feita com material porcino ou bovino, que são tratados de maneira especial para não gerar rejeição imunológica pelo paciente. A prótese biológica é uma opção interessante para os pacientes que serão submetidos à cirurgia de troca valvar e tem uma durabilidade média estimada de 15 anos, considerando a ausência de complicações cardiovasculares no pós operatório.

Indicações:

  • Pacientes mais idosos
  • Aqueles que têm restrições ou contra-indicações a anticoagulantes

Contra-indicações:

  • Crianças e adultos jovens, devido à posterior re-operação
  • Pacientes que já são anti-coagulados
  • Pacientes com área valvar muito pequena

Vantagens:

  • Não precisa administrar anticoagulante
  • Não faz barulho de “clique metálico”, é silenciosa
  • Não necessita de exame de rotina
  • A troca da prótese após sua vida útil pode ser realizada por procedimento minimamente invasivo valve in valve
  • Não precisa fazer exames de sangue mensalmente

Desvantagens:

  • Durabilidade limitada
  • Re-operação, em média, 15 anos


PRÓTESE MECÂNICA

A prótese mecânica é feita de carbono pirolítico e não estimula reação de rejeição imunológica. Sua durabilidade é de 250 anos, média estipulada em laboratório. Os pacientes que são submetidos à troca valvar mecânica precisam tomar anticoagulante via oral, todos os dias, sendo recomendado mensalmente o exame de sangue com RNI (Razão Normalizada Internacional) para controle da coagulação.

Indicações:

  • Pacientes crianças e adultos jovens
  • Aqueles que não têm restrições ou contra-indicações a anticoagulantes
  • Pacientes que já administram anticoagulantes

Contra-indicações:

  • Pacientes mais idosos
  • Restrições a anticoagulantes

Vantagens:

  • Não precisa de troca valvar em longo prazo
  • Desvantagens:

    • Administração continua de anticoagulante
    • Exames de rotina mensais para controle da coagulação
    • Clique metálico que pode ser audível

    Por: Aline Couto – Acadêmica do 4º ano de Medicina

Marcapassos

A estimulação elétrica em cardiologia atualmente é uma das áreas mais avançadas, estudadas e seguras de toda a medicina. O paciente que recebe um implante de dispositivo de estimulação elétrica artificial, como o marcapasso, é capaz de ter uma vida normal e saudável, ao contrário do que pregam diversos mitos populares. O implante desses dispositivos é rotina dos serviços de cirurgia cardíaca, sendo tec nicamente simples e praticamente isento de complicações.



O QUE É UM MARCAPASSO?

O marcapasso é um dispositivo que estimula o coração através de impulsos elétricos, visando o reestabelecimento de sua função normal. Ele é composto de um gerador e eletrodos (cabos que levam os impulsos elétricos do gerador até o coração) e atualmente possui um tamanho bastante reduzido, o que permite que fique escondido sob a pele (geralmente próximo ao ombro esquerdo).

Nas imagens abaixo, temos um marcapasso atual em seu tamanho original.



POR QUE EU PRECISO DE UM MARCAPASSO?

O coração possui um sistema de condução elétrica próprio, resposável pelo ritmo, frequência e coordenação geral dos batimentos cardíacos.

Um conjunto de células específicas é responsável pela geração de impulsos elétricos, ou seja, todos nós já nascemos com um marcapasso natural, chamado de nó sinoatrial ou nó sinusal. Os impulsos aí gerados são transmitidos ao longo do coração por alguns feixes e farão com que o músculo cardíaco se contraia de maneira harmônica.

Algumas doenças podem alterar a dinâmica do sistema de condução cardíaco, fazendo com que ele bata mais devagar. Em consequência disso, o coração se torna incapaz de bombear a quantidade de sangue necessária ao funcionamento do resto do corpo, o que faz o paciente sentir palpitações, tonturas, cansaço, falta de ar e em alguns casos ter desmaios.

As doenças que causam esses sintomas são chamadas de bradiarritimias e são identificadas através dos sintomas, exames físicos e exames da função elétrica e da contração do coração, como o eletrocardiograma e o HOLTER (um aparelho que realiza o eletrocardiograma durante 24 horas).

Apenas um médico capacitado é capaz de indicar um implante de marcapasso corretamente através da interpretação dos exames e consideração de outros fatores.



COMO É FEITO O IMPLANTE DO MARCAPASSO E QUAIS OS RISCOS DO PROCEDIMENTO?

O implante de marcapasso é uma das técnicas mais simples, rápidas, seguras e rotineiras no ramo da cirurgia cardíaca, desde que realizada por um equipe especializada e com experiência na área.

Com uso de anestesia local é realizado um pequeno corte na região próxima ao ombro esquerdo, onde o cirurgião encontra uma veia calibrosa. Por dentro dessa veia serão introduzidos os eletrodos, que chegarão ao coração e lá serão fixados. Após a passagem dos cabos e sua fixação dentro do coração, eles serão conectados ao gerador e o sistema será afixado sob a pele. A partir desse momento, o marcapasso entrará em ação sempre que ele detectar alguma alteração da atividade cardíaca.

O procedimento é de baixo risco e suas raras e eventuais complicações são sangramento ou infecção no local onde o marcapasso foi alojado.

Os cuidados nos pós-operatório, como higiene e evitar fazer força (inclusive dirigir) com o braço do lado operado nos primeiros trinta dias ajudam a evitar complicações. O período de internação costuma ser de um a dois dias, não sendo necessário repouso no leito.



COMO SERÁ O ACOMPANHAMENTO APÓS A CIRURGIA?

O paciente portador de marcapasso leva uma vida normal. Lembre-se: o objetivo do procedimento é melhorar a qualidade de vida do paciente.

O acompanhamento da função do marcapasso é realizado no próprio consultório em consultas médicas periódicas de acordo com a recomendação do seu médico. Se houver necessidade de algum ajuste na função do marcapasso, ele será realizado através de um computador especial e não envolve internação hospitalar ou procedimentos invasivos. Durante as consultas médicas periódicas será medida a carga da bateria do marcapasso e programação da troca da bateria caso necessário (é importante visitar seu médico periodicamente para que você não corra o risco de ficar sem a atividade do marcapasso por falta de bateria); essa troca de bateria é feita no hospital e é um procedimento mais simples do que o implante do marcapasso pois na maioria das vezes não é necessário trocar os eletrodos.



QUAIS OS CUIDADOS QUE DEVO TOMAR APÓS O IMPLANTE DO MARCAPASSO?

Quem possui marcapasso deve tomar alguns cuidados, principalmente com interferências externas que podem alterar a função do dispositivo.

Atualmente a carcaça do marcapasso é bastante eficiente ao evitar essa interferências, contudo deve se ter os seguintes cuidados:

  • Alguns fones de ouvido possuem imãs em seu interior, por isso é prudente mantê-los a uma distância mínima de 3 centímetros do marcapasso;
  • Utilizar o telefone celular do lado oposto ao que foi implantado o marcapasso. Não guardar o telefone celular próximo ao marcapasso;
  • A maioria dos eletrodomésticos em perfeitas condições de uso e conservação não irão interferir no seu marcapasso;
  • Conversar com seu médico caso use aparelhos que gerem vibrações ou campos elétricos/magnéticos de grande intensidade (furadeiras, britadeiras, linhas de alta tensão, estações de transmissão de rádio e TV, máquinas de solda, etc...);
  • Mantenha seu cartão de portador de marcapasso SEMPRE com você;
  • Em qualquer procedimento médico a ser realizado, informe que você é portador de marcapasso.


O QUE É UM CDI?

Os CDIs são aparelhos com aparência muito similar ao marcapasso (possui um gerador e cabos), porém com algumas funções diferentes. Esse dispositivo é capaz de reconhecer batimentos anormais do coração ou paradas cardíacas e intervir imediatamente caso seja necessário, dando um choque no coração (desfribilação), o que na maioria das vezes pode salvar a vida do paciente.



POR QUE PRECISO DE UM CDI?

Uma pessoa pode precisar de um CDI caso tenha alterações nos batimentos cardíacos, por exemplo, quando o coração bate tão rapidamente ou desorganizadamente que não consegue bombear a quantidade suficiente de sangue para o cérebro e outros órgãos. Esse tipo de condição pode levar o paciente a óbito (morte súbita) se nenhuma atitude for tomada. A função do CDI é intervir imediatamente quando o paciente precisar.



COMO É FEITO O IMPLANTE DO CDI?

A técnica é basicamente a mesma do marcapasso (veja a seção “Como é feito o implante do marcapasso?” acima), a única diferença é que durante o implante será feito um teste: o seu médico induzirá uma arritmia e verá se o aparelho é capaz de entrar em ação e reverter o quadro.

Vale a pena lembrar que todo o procedimento é feito no centro cirúrgico e com aparelhagem suficiente para garantir a segurança do paciente.



ACOMPANHAMENTO APÓS O IMPLANTE DO CDI

O acompanhamento médico e recomendações são similares aos do paciente portador de marcapasso (veja acima a seção “Quais cuidados devo tomar após o implante do marcapasso?”). O paciente usuário de CDI deve consultar seu médico regularmente; durante a consulta médica será verificadas a função do aparelho, a quantidade de carga da bateria, quantas vezes o aparelho precisou entrar em ação e realizar ajustes que porventura se façam necessários. Quando você perceber que seu aparelho deu um choque, entre em contato com seu médico. É importante avisar todos os seus médicos que você possui um CDI, principalmente antes de ralizar algum exame médico. Talvez você precise de uma nova cirurgia no futuro para substituir a bateria do aparelho e seu médico irá informá-lo com antecedência para que seja programada a substituição.

Dúvidas sobre riscos, benefícios, capacidade de dirigir automóveis ou quaisquer outras dúvidas que você tenha, podem ser esclarecidas pelo seu médico, pois as condições variam de paciente para paciente.



O QUE É UM RESSINCRONIZADOR CARDÍACO?

O ressincronizador cardíaco também é um dispositivo muito parecido com o marcapasso convencional, que é acoplado em mais de uma câmara cardíaca (apenas um aparelho, porém com dois cabos que vão até o coração). A função desse dispositivo é fazer o coração voltar a bater de forma harmônica.



POR QUE PRECISO DE UM RESSINCRONIZADOR CARDÍACO?

Algumas pessoas ao longo da vida podem sofrer de uma doença chamada insuficiência cardíaca, doença em que o coração torna-se incapaz de bombear o sangue adequadamente. É de extrema importância para o funcionamento do coração que as porções de músculos das suas paredes contraiam ao mesmo tempo (sincronismo) para que o sangue seja bombeado da melhor forma possível, contudo o coração de algumas pessoas que tem insuficiência cardíaca perde o sincronismo fazendo com que o quadro se agrave ainda mais. O ressincronizador é um dispositivo capaz de fazer o coração voltar a bater adequadamente e melhorar os sintomas de insuficiência cardíaca.



COMO É FEITO O IMPLANTE DO RESSINCRONIZADOR?

O ressincronizador cardíaco é um tipo especial de marcapasso, portanto a técnica utilizada é a mesma (veja a seção “Como é feito o implante do marcapasso?” acima).



ACOMPANHAMENTO APÓS IMPLANTE DO RESSINCRONIZADOR

O acompanhamento médico e recomendações são similares aos do paciente portador de marcapasso (veja acima a seção “Quais cuidados devo tomar após implante do marcapasso?”). Você deve visitar seu médico periodicamente para que seja possível verificar a afetividade do aparelho, fazer possíveis ajustes e medir a carga da bateria. O USO DE RESSINCRONIZADOR NÃO SIGNIFICA QUE VOCÊ PODE DEIXAR DE TOMAR SEUS MEDICAMENTOS, apenas seu médico é capaz de modificar sua medicação habitual após o implante do ressincronizador. Talvez você precise de uma nova cirurgia no futuro para substituir a bateria do aparelho e seu médico irá informá-lo quando a bateria do ressincronizados estiver ficando fraca para que seja programadas sua troca. Dúvidas sobre riscos, benefícios, capacidade de dirigir automóveis ou quaisquer outras dúvidas que você tenha podem ser esclarecidas pelo seu médico, pois as condições variam de paciente para paciente.

Por: Dr. Carlos Alberto Teles e Matheus Miranda

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